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Enchentes no Sudeste: A natureza desaba sobre as cidades brasileiras

ECOA

13/02/2020 04h00

Nunca passei pelo desespero de sentir a água subindo e nada poder fazer. De estar frente a frente com um tsunami sem qualquer rota de fuga.  As corredeiras incontroláveis que vão invadindo tudo e derrubando a cidade como um castelo de cartas. As encostas e relevos se dobram e desabam sobre seus indefesos ocupantes. 

Violenta, mortal e implacável, as enchentes destroem a vida e os sonhos de milhões de pessoas que vivem nas grandes cidades brasileiras. Perversa, ela atinge os mais vulneráveis e mais pobres como se fosse mandada dos céus por quem deseja exterminar as periferias indefesas e abandonadas em uma massiva higienização social. O povo do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo foram suas últimas vítimas. Outras estão no radar meteorológico.

Nós construímos esta armadilha ao longo de nossa história. Negamos a necessidade de as cidades serem bens públicos capazes de acolher e garantir qualidade de vida para todos. Em harmonia com a natureza e com ela sempre renovar nosso modo de viver.

Enterramos nossos córregos, fontes e rios. E sobre as águas enterradas erguemos solos impermeáveis que desterritorializam nossa visão e nossa relação com a natureza. Silenciamos com piche e concreto, tapando nossos olhos e ouvidos para não sentir a tristeza nem escutar os gritos de uma natureza, que aprisionada, se mantém viva sob nossas ruas e edifícios.

A natureza que desaba dos céus sobre as cidades parece querer ressuscitar e libertar a natureza que destruímos e aprisionamos. Tudo vira um só.

Os eventos climáticos extremos são manifestações da revolta da natureza pela destruição da vida do planeta Terra. É o alerta final para a sobrevivência da espécie humana.  

Ou mudamos nosso modo de governar, de  viver, de produzir e de consumir resgatando a terra viva, as florestas, as nascentes e águas limpas e livres, ou desapareceremos.

Este é o único plano de adaptação possível para seguirmos vivos e com algum futuro para as novas gerações. 

Sobre o Autor

Graduado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), foi gerente de políticas públicas da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, além de coordenador do Programa de Políticas Públicas para a Juventude da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (SP). Em 2003, integrou a assessoria especial do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva sob a coordenação de Oded Grajew. Atua no Instituto Ethos desde 2004, quando começou como assessor de Políticas Públicas. Em 2005, tornou-se gerente executivo de Políticas Públicas; em 2014, diretor executivo; e, em 2017, foi nomeado diretor-presidente do Instituto Ethos. Participa como membro dos conselhos do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Transparência Pública e Combate à Corrupção-CGU, do Pró-Ética, do Comitê Brasileiro do Pacto Global (CPBG) e da Rede Nossa São Paulo.

Sobre o Blog

Com foco em responsabilidade social corporativa, aborda tanto as questões críticas quanto as boas práticas nas agendas das desigualdades, dos direitos humanos, de integridade e ética, e do meio ambiente, a fim de compartilhar a contribuição de diferentes atores sociais - empresas, academia, organizações e poder público – em busca de uma sociedade sustentável e justa.

Caio Magri