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Zapeando e conversando

ECOA

27/01/2020 12h23

Saúde e alegria 2020 para todxs!

Voltando de uma pausa e de um "detox virtual" quero compartilhar a experiência de viajar com minha esposa Andrea e meu filho Matteo, de 14 anos, por lugares desconhecidos presencialmente, mas parte importante de nossas subjetividades. Percorremos a costa da Califórnia nos EUA por 25 dias.

Passamos por estradas e cidades que fazem parte da nossa subjetividade construída pelos filmes, músicas, imagens e histórias que nos identificam. Eu, avô de 65 anos, amante do rock e do movimento hippie, me emocionei com as memórias dos lugares onde tudo isso nasceu.

Matteo, um nativo digital da geração Z que zapeia tudo e mistura todos os canais, observava atento as minhas reações e, generoso como é, demonstrava compreensão pelos meus "dejavus". Nossas conversas nestas descobertas sempre chegavam a um assunto. Afinal, o país da maior economia do mundo resolveu seus problemas sociais e ambientais?

Vivemos em São Paulo, cidade que completa 466 anos amanhã com muito pouco a celebrar já que concentra a maior desigualdade social do Brasil com milhares de sem teto vivendo nas suas ruas, praças e becos.

Nossa visão sobre uma grande cidade no Brasil está impregnada por esta realidade, mas o que acontece com nossos sentimentos e percepções quando chegamos nas colinas de Palo Alto, do Vale do Silício e de Hollywood e nos deparamos com um cenário crítico de pobreza e de desigualdades?

Todos os dias os canais de TV locais e nacionais exibiam matérias sobre o crescimento da população dos sem teto de Los Angeles e San Francisco. Cobram medidas, mas que pela repetição exaustiva não acontecem.

Por que a região rica do planeta região não consegue promover e garantir qualidade de vida para todxs? As desigualdades aumentaram em quase todo o mundo. Este fenômeno, no entanto, aconteceu com ritmos diferentes de acordo com regiões e que apontam um forte aumento nos EUA. Esta é a conclusão de um relatório de 2017 coordenado pelo economista francês
Thomas Piketty.

Na terça feira passada, 21/01, a ONU lançou globalmente o Relatório Social Mundial 2020, que revela a que a desigualdade cresce no mundo, especialmente em países desenvolvidos o que pode acelerar as crises e divisões entre as nações. Mais de dois terços da população mundial vive em países onde as desigualdades aumentaram.

De volta ao Brasil e a São Paulo, eu e Matteo continuamos as conversas provocadas pela viagem. Acredito que a cada dia estamos mais conscientes e disposto a dialogar e zapear por um mundo melhor para todxs.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Graduado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), foi gerente de políticas públicas da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, além de coordenador do Programa de Políticas Públicas para a Juventude da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (SP). Em 2003, integrou a assessoria especial do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva sob a coordenação de Oded Grajew. Atua no Instituto Ethos desde 2004, quando começou como assessor de Políticas Públicas. Em 2005, tornou-se gerente executivo de Políticas Públicas; em 2014, diretor executivo; e, em 2017, foi nomeado diretor-presidente do Instituto Ethos. Participa como membro dos conselhos do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Transparência Pública e Combate à Corrupção-CGU, do Pró-Ética, do Comitê Brasileiro do Pacto Global (CPBG) e da Rede Nossa São Paulo.

Sobre o Blog

Com foco em responsabilidade social corporativa, aborda tanto as questões críticas quanto as boas práticas nas agendas das desigualdades, dos direitos humanos, de integridade e ética, e do meio ambiente, a fim de compartilhar a contribuição de diferentes atores sociais - empresas, academia, organizações e poder público – em busca de uma sociedade sustentável e justa.

Caio Magri