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A COP 25 fará diferença?

ECOA

13/12/2019 04h00

O que há de comum entre o ator Javier Bardem, a líder indígena Sônia Guajajara e a ativista Greta Thumberg?

Juntos, em Madri, estiveram na maior manifestação pelo clima já realizada em uma conferência dos países signatários da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP de 2019.

Juntos, cobraram de todos os governos do mundo o cumprimento de seus compromissos e a implementação de suas responsabilidades com o futuro do planeta e da humanidade. Juntos, celebraram a capacidade de mobilização popular e lembraram que sem "o povo na rua", como definiu Greta, não conseguiremos a pressão e as políticas públicas necessárias para frear as emissões de gases de efeito estufa (GEE) que estão provocando o aquecimento global.

E, a cada dia que passa, precisamos acelerar mais para que a média de aumento da temperatura do planeta fique abaixo de 1,5 grau Celsius até 2030, valor estimado pelos cientistas como o máximo para a preservação da biodiversidade e tolerância dos ecossistemas. E já estamos próximos do aumento de 1,0 grau Celsius.

Segundo cientistas da Nasa e da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, a temperatura da Terra em 2018 foi a quarta mais alta em 140 anos. E a notícia mais crítica é que os compromissos de redução de GEE até agora firmados pelos países são insuficientes para a meta estabelecida no Acordo de Paris.

Vivemos os efeitos profundos que exigem um estado de alerta e de reconhecimento da urgência. A cidade de Recife, por exemplo, reconheceu e declarou estado de emergência climática durante a Conferência Brasileira de Mudanças do Clima realizada em novembro deste ano, somando-se a outras 30 cidades de todo o mundo.

Os eventos climáticos extremos como secas prolongadas, inundações e mudanças nos ecossistemas chegaram para ficar nas nossas vidas por muito tempo. As mudanças e as adaptações necessárias para a sobrevivência exigem ações imediatas de todos, tanto de quem produz e como produz quanto de quem consome e o que consome. Pode parecer óbvio, mas vale repetir: ou mudamos o modo de produzir e de consumir, freando a corrida em direção ao precipício, ou saltamos de uma vez, destruindo a chance de nos mantermos vivos no planeta Terra.

Os acordos entre os países e as metas estabelecidas ontem não são mais suficientes no dia de hoje. A dinâmica da crise climática se espalha pelo mundo. Temos que acelerar e aumentar a ambição das mudanças necessárias.

A COP 25, que se encerra nesta sexta-feira (13), somente fará a diferença se endereçar respostas concretas e urgentes sobre estas questões.

Sobre o Autor

Graduado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), foi gerente de políticas públicas da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, além de coordenador do Programa de Políticas Públicas para a Juventude da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (SP). Em 2003, integrou a assessoria especial do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva sob a coordenação de Oded Grajew. Atua no Instituto Ethos desde 2004, quando começou como assessor de Políticas Públicas. Em 2005, tornou-se gerente executivo de Políticas Públicas; em 2014, diretor executivo; e, em 2017, foi nomeado diretor-presidente do Instituto Ethos. Participa como membro dos conselhos do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Transparência Pública e Combate à Corrupção-CGU, do Pró-Ética, do Comitê Brasileiro do Pacto Global (CPBG) e da Rede Nossa São Paulo.

Sobre o Blog

Com foco em responsabilidade social corporativa, aborda tanto as questões críticas quanto as boas práticas nas agendas das desigualdades, dos direitos humanos, de integridade e ética, e do meio ambiente, a fim de compartilhar a contribuição de diferentes atores sociais - empresas, academia, organizações e poder público – em busca de uma sociedade sustentável e justa.

Caio Magri